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Vai rolar a festa no pós-pandemia?

26/08/2020

Setor do entretenimento busca alternativas para a retomada num ‘novo normal’

“Saudades de uma aglomeração, né minha filha”?
O número de vezes que provavelmente você leu ou postou essa frase nos últimos meses é proporcional ao tamanho do problema que o universo do showbusiness mundial enfrenta com essa pandemia. E não é por menos.
Talvez o setor mais afetado com a crise causada pela Covid-19 (no Brasil, segundo o Sebrae, 98%). O entretenimento de maneira geral - shows musicais, espetáculos teatrais e circenses, eventos quaisquer que sejam, foram, estão e muito possivelmente continuarão sendo afetados. E terão que se reinventar.
“Mas nunca mais poderemos curtir uma balada como era antes?” – a pergunta que não quer calar. E a resposta passa antes por algumas análises a respeito.
Primeiro temos que ver as perspectivas do próprio setor de entretenimento. Um ótimo jeito de fazermos isso é analisando o que as grandes indústrias estão pensando. Recentemente, representantes das principais empresas que atuam no mercado de eventos se reuniram (virtualmente, é claro) para debater o cenário. E a conclusão do encontro foi a seguinte: numa perspectiva bastante otimista, os eventos começam a voltar em outubro, com muitas restrições para evitar aglomerações. Numa visão moderada, o mercado também retorna em outubro, mas apenas em eventos abertos e sem qualquer aglomeração. A pior estimativa nos leva para 2021.
Com base nesses cenários uma coisa é certa: nunca será como antes. Agregaremos a esse ‘novo normal’ os também novos hábitos de agir, de conviver e de se socializar. Marcelo Flores, fundador da BusinessLand, pontuou 15 tendências que deverão ser normatizadas para a realização de eventos a partir da retomada.
Higienização criteriosa é a primeira delas e isso já se tornou rotina na vida de todos nós. Álcool gel e máscara provavelmente são as palavras mais faladas, escritas ou lidas em todo território nacional. E não será diferente daqui pra frente. O nível de exigência nesse sentido deverá ser crescente.
Quanto aos protocolos de segurança, o 4º item de sua lista, cada segmento deverá definir e implantar suas regras, de acordo com suas necessidades próprias. Na prática, parques terão protocolos diferentes de shows, que serão diferentes de hotéis, que serão diferentes de eventos esportivos, e por aí vai.
Um ponto importante nessas tendências é o entretenimento em casa. Assim como trabalhamos em casa, também buscamos diversão, e o próprio setor enxergou rapidamente isso. Surgiu então uma palavra que está bastante em moda: ressignificar. Artistas tiveram que se ressignificar durante a pandemia, e o resultado, para nós, meros espectadores, foi ótimo na verdade. Temos hoje muitos shows ao vivo, as famosas lives, vemos muitos artistas, de todos os ramos, trazendo novos produtos e, com isso, nova diversão. Ganhamos em quantidade e também em qualidade do que é oferecido.
Antes de respondermos à pergunta do título, vamos destacar as últimas duas tendências para o mundo do entretenimento apontadas por Marcelo Flores: nostalgia e solidariedade.
Segundo ele, grandes shows deverão acontecer trazendo essa sensação de saudade (que hoje externamos no usual #tbt). Já quanto ao aspecto da solidariedade, uma indicação bem humanizada aliás, essa, na verdade, será uma tendência para tudo daqui pra frente. Já estamos testemunhando isso e, certamente, você aí que está lendo esse texto já viveu isso, já foi solidário de alguma forma em tempos como esse que vivemos.
É natural do ser humano a solidariedade diante de grandes dificuldades. Faz parte da nossa natureza se ajudar, até por uma questão de sobrevivência. Talvez esse seja o lado mais bonito e poético dessa pandemia – a compaixão que vem se ampliando com isso tudo.
E para finalizar, respondendo a vocês se “vai rolar a festa” nesse novo normal, vai sim pessoal. Mas, como tudo já está sendo, não será como antes. E vamos ter que nos acostumar também a curtir de jeitos e formas diferentes. Lembrando que também faz parte da nossa natureza a adaptação. Aliás, foram tantas em milhares de anos, que já somos especialistas nesse assunto.

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